Desigualdades continuam

DESIGUALDADES CONTINUAM

Publicado no Jornal Imparcial no dia 4 de maio de 2018.

SÍLVIO BEMBEM

Doutorando e Mestre em Ciências Sociais-Política (PUC/SP), Especialista em Sociologia (UEMA), Administrador, Servidor Público Federal (HU-UFMA), Foi Secretário Adjunto de Estado da Igualdade Racial no Governo Jackson Lago (2007-2009).

 

 

Muitas lutas ainda precisam ser travadas com objetivo de superar as cruéis desigualdades existentes no mercado de trabalho. Em 2017 escrevi um artigo com os dados do desemprego no Brasil, e que fazem parte da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgados pelo IBGE, E agora em 2018, somente estou atualizando, mas o cenário mudou muito pouco.

Um breve histórico – o Dia do Trabalho, e que também se convencionou chamar de Dia do Trabalhador, ou dia Internacional dos Trabalhadores é comemorado em 1º de maio. Não só no Brasil, mas em vários países do mundo é um feriado nacional, dedicado, fundamentalmente, a manifestações, passeatas, reflexões, eventos reivindicatórios e de conscientização, e festas quando se tem algo a comemorar.

A História do Dia do Trabalho surgiu no ano de 1886, na cidade de Chicago, um dos principais pólos industriais do E.U.A, onde foi palco de importantes manifestações operárias. No dia 1º de maio daquele ano, milhares de trabalhadores e trabalhadoras foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada de trabalho de treze para oito horas diárias. Neste mesmo dia aconteceu nos Estados Unidos uma grande greve geral dos trabalhadores.

Dois dias após os acontecimentos, um conflito envolvendo policiais e trabalhadores provocou a morte de alguns manifestantes. Este fato gerou revolta nos trabalhadores, provocando outros enfrentamentos com policiais. No dia 4 de maio, num conflito de rua, manifestantes atiraram uma bomba nos policiais, provocando a morte de sete deles. Foi o estopim para que os policiais começassem a atirar no grupo de manifestantes. O resultado foi à morte de doze protestantes e dezenas de pessoas feridas.

Foram dias marcantes na história da luta dos trabalhadores por melhores condições de trabalho. Para homenagear aqueles que morreram nos conflitos, em 1891, no 2° Congresso da Segunda Internacional, realizado em Bruxelas, foi aprovada a resolução que tornar o 1° de MAIO, como um “dia de festa dos trabalhadores de todos os países, durante o qual os trabalhadores devem manifestar os objetivos comuns de suas reivindicações, bem como sua solidariedade”.

E qual o legado do mercado de trabalho no Brasil, agora em 2018?

De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego de 13,1%, em média, no primeiro trimestre, mais uma vez bateu recorde, já são quase 14 milhões de desempregados. É um dos maiores índices desde que o cálculo começou a ser feito, em 2012. Segundo o IBGE, o número de desempregados no Brasil nos três primeiros meses de 2018, foi de 13,7 milhões de pessoas. Isso representa alta de 11,2% em relação ao quarto trimestre. Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, são 500 mil desempregados a menos, uma pequena queda de 3,4%.

O drama a procura de um emprego tem sido cruel. E quando o trabalhador e a trabalhadora encontram receberão até 1,5 salário mínimo. Os setores mais atingidos são à construção civil (5,6%, ou menos 389 mil pessoas), na indústria (2,7%, ou menos 327 mil pessoas) e no comércio (2,2%, ou menos 396 mil pessoas). E tradicionalmente as taxas da região Nordeste são mais altas.

De acordo o IBGE, o que não está ocorrendo é a reversão da tendência de redução da taxa de desemprego, e não é difícil prever que logo podemos atingir os 15 milhões de desempregados.

O mais triste é que, a maioria desses desempregados são os jovens, pais e mães de famílias da base da pirâmide social, a população negra e pessoas com baixa qualificação, portanto, hoje quem tem um contrato de trabalho formal, mesmo que precarizado, já pode se considerar privilegiado, em tempo de crise política e econômica aguda.

Aí vem o governo sem rumo do golpista TEMER e sua turma, com apoio do congresso nacional que votou as tais reformas neoliberais retirando direitos, quando aprovou na base da compra de votos de deputados/as e senadores o famigerado “pacote trabalhista da maldade” que só alterou pontos que vão fortalecer o mercado em detrimento de um Estado forte e interventor. E com a flexibilização, via terceirização e o enfraquecimento do papel e da força do sindicato de classe em participar das negociações entre patrão e empregado, com isso, as relações de trabalho ficam ainda mais precárias, o que só aumentou o populismo e as desigualdades. Mas, a classe trabalhadora obteve uma vitória parcial, quando a reforma draconiana da Previdência Social proposta por ele foi arquivada por falta de força política na câmara para aprovação. Este é o legado 1.º de maio de 2017, e extensivo ao 1.º de maio de 2018.

Por isso, nada a comemorar, e sim continuar a luta na defesa de direitos e com objetivo de derrotar nessa eleição o governo TEMER e políticos golpistas.

A palavra de ordem: “Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, uni-vos!”.

 

#silviobembemdeputadoestadual
#silviobembem40100
#birafederal4000
#FlavioDino65